Por mais de 500 anos em coma
Muitas
reivindicações, palavras ditas ao calor da revolta, de um povo cansado da
chibata, cansado da grande senzala que se tornou o país, que cresceu nos
jeitinhos de saqueadores, exploradores de novas terras, burgueses e reis
falidos, que encontraram na Ilha de Vera Cruz, uma possibilidade de voltar as
suas riquezas. Uma pátria rica e violentada desde 1500, que passou por
revoluções e teve sua independência comprada, e forjou seu povo a base de
preconceitos e interesses pessoais. Religiões, crenças, mitos, o Brasil virou
uma mão solteira de braços abertos, um lugar de fronteiras curtas esperando um
novo visitante fazer morada, um país de muitas raças e muito racismo, onde a
violência deu lugar ao diálogo.
Chegamos aqui, em século que nem
acreditávamos que viveríamos, olhando pelas janelas de nossas almas, um Brasil
de bandeiras hasteadas, tentando um novo futuro, para se redimir de um passado.
Fico aqui pensando o que Dom João faria, ao chegar no Brasil e vê os índios e
com suas flechas dizendo, fora daqui, mas deixando nosso passado de lado, o que
vejo é as tribos de agora nas ruas, dizendo para os reis que em nosso país não
existe monarquia, que somos realmente uma democracia, que fala, que escuta e
que vê, que tem capacidade de tornar seus sonhos realidade, e refletir na pele
as cores de nosso país. Porque esse é o nosso lugar, porque aqui nascemos, com
todas as dificuldades e tropeços, somos brasileiros de nacionalidade, querendo
ou não, temos responsabilidade com nossa herança.
Que as pautas estejam na mesa, que os diálogos sejam
decisivos e sinceros, que a paz e o bem estar da nação, estejam em primeiro
lugar, que juntos possamos escrever uma nova história, de um começa que já virou
piada. Não somos o país do futebol, somos o país do futuro, um gigante que por
mais de 500 anos, permaneceu em estado de coma.
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