TÃO NATURAL
Sentando dentro e fora do meu
próprio eu,
Perdido na metafísica contemporânea
Que vai além de uma tela e tinta
óleo.
Quem eu sou?
Um derrubado de árvores sentando em
uma pedra,
Olhando para o tempo que olha para
mim,
Sentindo a vida me dizer que tudo é
passageiro,
E escutando o som dos pássaros que
sobrevoam as árvores.
Estou sozinho dentro do meu
silêncio,
Escutando a voz de minh’alma
Que fala com tanto carinho do verde
dessas matas,
Dessa riqueza sem tamanho
Retratada naturalisticamente para
atravessar os tempos,
E se tornar imortal.
Sinto o peso lida,
Os ombros arriados,
Os braços cansados desleixados
sobre as pernas,
Os olhos miúdos que também falam,
Lacrimejam, ardem,
Castigados pelo sol e pelo suor que
escorre.
Aqui nessa sombra,
Estou sozinho dentro e fora do meu
eu,
Que vai além de uma tela e tinta
óleo.
Caio Martins. Heterônimo
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